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18.09.2020

O desinfetante está por todo o lado. Será perigoso inalá-lo?

Tornou-se um companheiro inseparável de todos nós, mas é importante esclarecer se terá consequências nefastas no sistema respiratório

Existem, essencialmente, dois tipos de desinfetantes: à base de álcool e à base de substâncias semelhantes à lixívia.

“A inalação dos que são à base de álcool não é tóxica porque não existe libertação de vapores”, afirma a pneumologista Aurora Carvalho. Também o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, António Morais, não vê “nenhum risco associado à inalação”, uma vez que as pessoas não deixam o líquido entrar em contacto com as vias respiratórias.

Já no caso daqueles que sejam à base de outras substâncias, é difícil fazer uma avaliação genérica porque as composições são muito diversas. “Mas dificilmente a quantidade de vapores inalados será suficiente para irritar as vias respiratórias”, acredita a médica do Hospital dos Lusíadas, no Porto.

“Se estivermos a falar de uma desinfeção industrial ou de espaços ao ar livre, aí a quantidade de produto utilizado é muito superior, e quem desempenha essas tarefas deve estar protegido”, alerta a pneumologista. Nestes casos, libertam-se mais vapores tóxicos que podem provocar sintomas respiratórios.

Mesmo no contexto doméstico é preciso ter cuidado quando se mistura lixívia com outros produtos de limpeza que podem desencadear a libertação de vapores que são irritantes para as vias respiratórias, como o cloro. Também neste caso os efeitos adversos só se verificam com grandes quantidades.

Muito mais do que a inalação, Aurora Carvalho alerta que o maior perigo é a ingestão destas substâncias por parte, por exemplo, das crianças, que podem sofrer lesões graves no sistema digestivo. A pneumologista reforça a importância de os manter fora do alcance dos mais novos.

Usado corretamente, António Morais sublinha a importância do álcool gel no quotidiano não só por causa da Covid-19, mas por todos os outros microrganismos que são eliminados, evitando a transmissão de outros vírus, como a gripe.

Fonte: Visão