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12.12.2019

Cerca de 100 enfermeiros da região de Lisboa manifestam-se pelo descongelamento das carreiras

Cerca de uma centena de enfermeiros de várias unidades de saúde manifestaram-se esta quinta-feira, reclamando o descongelamento das progressões das carreiras e alertando para a falta de enfermeiros.

Cerca de uma centena de enfermeiros de várias unidades de saúde concentraram-se esta quinta-feira à porta da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), em dia de greve, reclamando o descongelamento das progressões das carreiras.

Em declarações à Lusa, Rui Marroni, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), revelou estar em causa “uma grande injustiça” por parte da ARSLVT para com os enfermeiros, lembrando que outras administrações “corrigiram as situações dos descongelamentos e transições de carreiras e a de Lisboa não”.

"Aquilo que fez foi pouco e muito insuficiente. Muitos enfermeiros com 24, 25 anos de exercício continuam com o mesmo salário dos colegas que entram agora e têm o seu primeiro mês de salário”, denunciou Rui Marroni, revelando que tal situação “traduz-se em menos de mil euros líquidos ao fim do mês”.

O responsável lembrou ainda o facto de alguns enfermeiros não terem transitado para a carreira de especialista, estando a ARSLVT a “descategorizar” este grupo de profissionais.

Segundo o sindicalista, também os mapas de pessoal estão “desatualizados”, alertando que se for feito o rácio da Organização Mundial de Saúde faltam 1.500 enfermeiros aos 2.800 existentes para na totalidade se chegar aos 4.300 preconizados pelo organismo, o que daria um enfermeiro para cada 350 famílias.

Entre as reivindicações dos enfermeiros da Grande Lisboa encontra-se ainda a questão da falta de condições para a prestação de cuidados domiciliários, lembrando que não há viaturas, nem motoristas, nem auxiliares para acompanhar os enfermeiros, “o que causa grandes transtornos e constrangimentos”.

"Para os enfermeiros, na sua maioria mulheres, entrarem num domicílio sozinhos é complexo, além de terem de levar os seus próprios carros. Há mais de dois anos que levantamos essas questões e continuam sem ser resolvidas”, afirmou.

A enfermeira Isadora Rusga, que trabalha no Agrupamento de Centros de Saúde da Amadora, questiona o facto de com 21 anos de profissão continuar na primeira posição remuneratória, “a ganhar exatamente o mesmo vencimento que um recém-licenciado que comece a trabalhar agora”, lembrando que noutras instituições já foi feito o descongelamento das carreiras. “Continuo a aguardar. A ARSLVT até à data não repôs nada, nem sequer me foi comunicado quantos pontos foram acumulados nestes 21 anos de trabalho”, disse à Lusa.

Também Lilia Evens, enfermeira no Centro de Saúde do Barreiro, veio à porta da ARSLVT para reivindicar as progressões “que continuam a ser ignoradas”, frisando, igualmente, os casos de enfermeiros com mais de 20 anos de profissão a ganhar o mesmo que jovens que começam agora.

“O número de enfermeiros é sempre insuficiente. Trabalho numa unidade que devia ter 16, mas só há oito, o senhor presidente diz que tem os mapas da ARSLVT cheios, que não admite mais ninguém, mas querem abrir mais unidades, e nós achamos que são essenciais os cuidados de proximidade, mas temos de admitir mais gente”, acrescentou Lilia Evens.

Segundo Rui Marroni, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses irá entregar um caderno reivindicativo dirigido ao presidente do conselho diretivo da ARSLVT, onde constam estas e outras reivindicações, algumas das quais já se arrastam há mais de dois anos e para as quais ainda não apresentou qualquer solução.

Fonte: Observador