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12.08.2019

Hospital no Porto sem dinheiro para medicamento caro distribuído em Lisboa

Daniela Braga sofre de paramiloidose e é acompanhada no Hospital de Santo António, no Porto, que diz não ter verbas para assumir os custos do medicamento que estagna a doença.


Uma doente com paramiloidose sente-se discriminada por não ter acesso no Hospital de Santo António, no Porto, a um medicamento que garante ser distribuído em Lisboa.

Daniela Braga sofre de paramiloidose, conhecida como doença dos pezinhos, desde 2013. “Tenho muitas dores musculares, vómitos constantes, tenho um pacemaker e não posso fazer transplante porque estou muito frágil. Já ando de muletas e a tendência é para piorar”, conta a mulher de 38 anos, que vive com 400 euros de reforma de invalidez, ao Correio da Manhã.

Daniela Braga garante que o Patisiran, o medicamento de que necessita, “está a ser distribuído a doentes que são acompanhados por um hospital em Lisboa”. No entanto, como reside em Braga, o seu caso é diferente: “Como sou acompanhada no Hospital de Santo António, no Porto, que não tem verba para esse medicamente, não tenho direito ao remédio que pode ao menos estagnar a doença”.

O introdução do medicamento em Portugal ainda não foi aprovada pela Autoridade Nacional de Medicamento (Infarmed), no entanto este pode ser disponibilizado através de Programas de Acesso Precoce e mediante a concessão de Autorização de Utilização Excecional pedida pelo hospital que siga o doente. Por enquanto, Daniela Braga continua a deslocar-se todos os meses à sua unidade hospitalar para adquirir um outro medicamento, cuja caixa custa sete mil euros.

O Hospital de Santo António é a instituição que acompanha mais doentes com paramiloidose em Portugal. Ao Correio da Manhã disse que “os pareceres técnico-científicos não foram favoráveis” neste caso, invocando ainda “questões de princípio, de proporcionalidade e de responsabilidade” que devem ser tidas em conta. E admite: “Parece-nos mais do que evidente que o hospital não terá possibilidade de assumir os custos destes medicamentos se o Infarmed autorizar a sua introdução.”

Fonte: Observador