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08.05.2018

A queda de um mito: o mel não cura a tosse e pode não ser melhor do que o açúcar

Quando éramos pequenos, o conselho era frequente: uma caneca de leite com mel para curar a tosse. Mas afinal, não passava de um mito: o mel não cura a tosse e pode fazer tão mal quanto o açúcar.

Todos nós sabemos a contar a história de trás para a frente e da frente para trás: quando éramos crianças e tínhamos tosse, a primeira reação das nossas mães ou avós era preparar uma caneca de leite com mel. Remédio santo, diziam elas. E diziam-no provavelmente porque foi o que lhes disseram a elas. A utilidade do mel para o combate à tosse e às constipações faz parte da sabedoria popular. Mas será que é verdade? Não, não é.

“Para a tosse, devido à sua textura e natureza, atuaria como um hidratante de mucosas, podendo acalmar os sintomas da tosse, mas não tem qualquer efeito expectorante, como se costuma ouvir. Não podemos associá-lo à cura de de nenhuma doença em momento algum”, explicou Gemma Del Caño, uma especialista em segurança alimentar, ao El Español.

O mel não aumenta as defesas do sistema imunitário e não pode ser utilizado para prevenir constipações ou gripes. Na verdade, de acordo com a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, o mel carece de muitas substâncias que lhe são atribuídas há séculos: não é antioxidante, não tem propriedades que reforcem o sistema respiratório e muito menos serve para prevenir o cancro.

A última revisão de estudos académicos sobre o assunto, publicada pela revista The Cochrane database of systematic reviews, indica para a possibilidade de o mel atenuar a tosse mas recusa a existência de qualquer prova sólida. Nas conclusões do artigo, pode ler-se que “o mel provavelmente alivia os sintomas de tosse em maior medida do que a ausência de tratamento, mas não há provas contundentes contra ou a favor do uso do mel”.

Mas existe um pequeno grande pormenor que faz com que o uso e consumo de mel deva ser limitado: em 100 gramas de mel, 75 são açúcar. Apesar de ser principalmente composto por frutose, com baixo indíce glicémico, o mel deve entrar nas contas para os limites ao consumo de açúcar.

“No contexto de uma alimentação saudável e sem excesso de energia, o uso de quantidades limitadas de mel — a Organização Mundial da Saúde, que tem os limites mais apertados, fala num máximo de 25g de açúcar por dia, que corresponde a cerca de 30g de mel — não parece acarretar problemas para a nossa saúde, mas não podemos esquecer que dada a profusão de alimentos ricos em açúcar na nossa alimentação, este limite raras vezes é respeitado”, disse ao Observador Nuno Borges, professor na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, Universidade do Porto.

Fonte: Observador